Meu desânimo com a vida acadêmica e a dominação esquerdista

Por Bastiat


Bom dia a todos,

Como já mencionei por aqui algumas vezes, trabalho também na área acadêmica, em graduação e agora também em cursos de pós. Por conta de minha formação algumas cadeiras me são designadas, em uma variedade de cursos. O que notado é uma queda muita acentuada no nível intelectual do aluno mediano, o que já está afetando até o que se considerava "fora da média". Explico-me: não se pode esperar que tenhamos um grupo de 50 alunos com um nível alto, não é possível - a natureza humana é assim. Sempre há pelos menos 10% em cada extremo - extremamente capazes e extremamente incapazes, contudo, o que venho notando é que os extremante capazes de agora são os que teriam sido considerados medianos há duas décadas. A capacidade de entendimento de textos simples é muito baixa. Os professores da área de Literatar e Linguística estão basicamente constatando a mesma coisa em seus alunos, que deveriam ter nessa área seu ponto mais forte. 

Em minha opinião, o afrouxamento da rigidez acadêmica tem contribuído de forma fundamental para isso. A quantidade de leitura que devo exigir de meus alunos de graduação está se tornando cada vez menor, cada vez mais concentrada, e incrivelmente os alunos parecem entender cada vez menos. Foi-me solicitado "didatizar" mais minhas provas e pedir menos seminários, resenhas, trabalhos escritos em geral "já que eles (os alunos) não tem tempo". O resultado disso no curto prazo é evidente: alunos piores serão profissionais piores, porém no longo prazo a coisa fica ainda mais dramática, pois há de se prever a canalização de opiniões, a homogenização do discurso, uma horda de intelectuais de um lado só. Uma queda acentuada no nível da troca de ideias, se é que haverá alguma troca de ideias. 


Também tenho passado por cerceamentos ideológicos cada vez menos velados. Um exemplo recente foi uma repreensão por conta de dois seminários que apresentei (com autorização das faculdades em questão, mandei o material com antecedência para análise e recebi o ok - de fato, mesmos os responsáveis têm preguiça de ler). Minha atitude reprovável? Propor discussões levando autores que estão fora do "escopo" da academia: Haykes, von Mises, Hoppe. As reclamações se baseavam majoritariamente num ponto: eu propus discussões de autores que prezavam valores "egoístas". Vejam só a ignorância de quem deveria incentivar a discussão..... Segundo o coordenador, eu deveria me ater à discussão padrão (termo dele) e torno dos mesmos autores de sempre e aproveitar o momento de "tranquilidade e prosperidade" que o país vive. Surreal.

Eu tenho uma série de artigos prontos a serem editados que não vão encontrar mercado e nos quais eu não posso nem pensar e por meu nome, já que, afinal, tenho de pagar contas, comer e beber. E pelo que já vi, falar de inflação causada deliberadamente pelo governo, diminuição da taxa de investimento, aumento astronômico da dívida pública nos últimos anos ou a falta de critério para conceder crédito pode me render até uma demissão

Enfim, esse é mais uma constatação do óbvio ululante, que pouco parecem ver. 

Alguém mais trabalha na área acadêmica por ai?

Abraços a todos!

5 comentários:

  1. É realmente preoucupante seu relato. Ainda sou estudante, mas pretendo seguir a carreira acadêmica e ao ler seu post pude constatar mais uma vez como a educação superior (na grande maioria privada, mas não unica exceção)  virou um verdadeiro produto em nossa sociedade. A faculdade da a desculpa que os alunos não tem tempo para estudar e os professores tem que se virar com suas ferramentas, que muitas vezes são censuradas como você mencionou. É simplesmente lamentavel o rumo que a educação brasileira tem tomado nos ultimos anos, vide exemplo dos resultados de provas como o ENADE e a OAB.

    Parabéns pelo post e força na sua jornada acadêmica.

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  2. eu sou formado nunca vi ninguém fazer um trabalho baseado no  filosófo arthur schopenhauer, é por isso que está bosta o ensino, ensino mercantilista. a educação está uma merda de ruím de nesse país.

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  3. por que não falam do verdadeiro héroi zumbi dos palmares, os meios de comunicação  exaltam como ele foi um héroi que na realidade era bem distinta dos livros didáticos.

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  4. Dentre 50 alunos, uns 3 vão te ouvir. Disponibilize o material em uma pasta presente no xerox da faculdade e diga que tem uns textos de caráter não obrigatório e meramente acessórios, caso algum aluno queira se inteirar mais profundamente. Uns 3 vão lá ver.....bem, mas como vc só dá aula para 3, mesmo dentre 50, isso dá 100% de êxito.
    Qquer semelhanca desse raciocínio com as práticas esquerdistas é mera especulacão.

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  5. Marxismo cultural batendo forte.
    Um dos motivos que me levaram a abandonar o magistério universitário foi este.
    Dava aula de direito e não podia exigir um bom português de meus alunos, pois, afinal de contas, o curso não era de português e nem de letras.
    Isso sem contar quando fui chamado na secretaria para ser repreendido porque meus alunos estavam com notas muito baixas, o problema era comigo e não com os alunos.

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