A Essência de Marte - Parte 2 - Violência

Por The Irish Beer

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E aí, galera. No texto passado dessa série, vimos a relação entre a zona de conflito (ou fuga da zona de conforto) com a essência da masculinidade. Coloquei alguns pontos necessários para a compreensão e fiz uma análise de pequenos pormenores que denotam muitas vezes o porquê do conflito ser tão necessário.

 É importante não levar as palavras no sentido literal e unilateral das coisas, ou vão achar que o intuito da série é incitar uma revolución armada ou fazer apologia à estupidez e não é definitivamente isso. Não quero aparecer numa reportagem do Fantástico junto aos Carmageddons da vida, rs.

No sentido, digo puramente e sem conjecturas a palavra violência. Violência é a quebra de valores, concepções ou até da moralidade e integridade por meio de atos físicos ou imateriais (você não precisa chutar a bunda de alguém para soar violento). Violência envolve força, embora força necessariamente não envolve a questão da violência.

Para uma melhor compreensão, vamos voltar aos remotos tempos da antiguidade pré-histórica. O ser humano, tal qual hoje sempre buscou dois fatores: a saciedade (bem estar) e a fuga da dor. Em uma época onde era o lema “morte: um dos dois”, uma simples conversa “deixa disso” não resolveria a questão.
Pra todos que conhecem o filme, sabem como ele termina. A humanidade caminhava alegremente assim, sobrevivência e sobrevivência.

Não só com humanos, mas com animais também, a violência física é presente em vários aspectos: a sexualidade de um macho de acordo com dada espécie será influenciada pelo comportamento dominante e violento do mesmo. Instintivamente a violência física prudente é capaz de transmitir segurança e sobrevivência ao grupo.



Graças às instituições sociais e as concepções de moralidade, tal qual o sedentarismo da sociedade, a caça e a segurança se tornaram fatores secundários e a violência como fator essencial de sobrevivência se tornou secundário consequentemente. 
A violência física não é somente a agressão injustificada, a covardia. É também uma forma de defesa, um contra-ataque aos atos de ruptura à nossa integridade física, no caso relatado. Nós humanos, somos seres violentos. A violência tal qual o uso da força pode ser tão prudente como imprudente e destrutivo. 

A violência porém não é apenas meia lua, soco, ela pode vir muitas vezes sob a faceta ideológica ou com a quebra de valores morais e éticos. Tirar o direito de um homem praticar a violência como um ato defensivo é tirar o seu direito de sobrevivência e de visão de mundo. Praticar um ato violento não significa ser violento e muitas vezes, covarde. 
A entrada em um conflito com uma consequente possibilidade de quebra de valores, integridades e honradez define o uso da própria defesa instintiva como modo de sobrevivência e bem estar. 

Uma nação pode muito bem ser pacífica e bem estruturada, porém, possuir seu exército e suas táticas militares. Em relações pessoais e individuais, a violência interior torna-se presente: a perda de uma pessoa ou de um relacionamento antigo requer a violação do ego, requer uma batalha interior defensiva e a ruptura de valores anteriores que você possuía. A mudança de idéias e de concepções requer a violação e o boicote aos falsos “eus” que você possuía dentro de você. 



Ao passo que o homem caminha, é necessária a noção de defesa e da integridade. Ao passo que o homem conflita (tanto interiormente como exteriormente), é necessário o uso da violência. É necessário saber lutar, mas não necessariamente viver lutando. 

Algumas notas: 
1 – Noção de violência e defesa é diferente de violência injustificada e ignorante. 
2 – Praticar um ato violento não significa necessariamente ser violento. 
3 – Tanto a violência física como a psicológica são danosas. A violência ideológica é tão ou mais danosa do que a violência física. A ruptura da ótica de valores de uma pessoa ou sociedade pode ser mais danosa do que uma guerra.

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