Admirável Mundo Novo - análise

Por Lobo Mau



Aldous Huxley, autor inglês, exerceu enorme influência na juventude dos anos 50 e 60. Sua obra mais instigante foi “Admirável Mundo Novo”, que ao lado de “1984”, de George Orwell, tornaram-se previsões do que hoje acontece.

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Escrito em 1931, Huxley republicou-o em 1946, no final da 2ª Grande Guerra. Mas, em seu prefácio declarou não ter feito qualquer alteração no texto original. Muitas coisas haviam mudado e acontecido naqueles quinze anos, mas preferiu preservá-lo como era. Em sua narrativa, a humanidade evoluiu cientificamente, mudando totalmente o curso da natureza. Técnicas genéticas e de fecundação artificial foram desenvolvidas e o acasalamento tornou-se apenas para o prazer momentâneo. Ninguém era de ninguém, todos eram de todos.
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A gravidez foi substituída pela procriação feita em laboratórios, utilizando-se tubos especiais. As figuras paternas e maternas deixaram de existir, assim como as uniões matrimoniais. O sexo foi totalmente liberado, tendo como única restrição, a gravidez. Para isso, anticoncepcionais eram distribuídos amplamente e todos os deviam utilizar. Se falhassem, o aborto era mandatório e oficialmente disponibilizado. Ser pai ou mãe era considerado obsceno. Só o prazer, entendido como felicidade, importava.
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Buscando a excelência organizacional da sociedade, os embriões eram manipulados geneticamente
e selecionados conforme as necessidades socioeconômicas. Para ocupar cargos de liderança, geravam-se os Alfa, constituídos pela melhor combinação genética. E, quando completada a gestação, eram condicionados durante anos, com as melhores técnicas administrativas. Para trabalhos braçais, eram gerados os Ípsilones,
na outra ponta das qualificações. Esses recebiam genes de forte compleição física e baixíssima inteligência. Seu condicionamento por técnicas neopavlovianas os fazia se sentir totalmente felizes como eram.
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Excelentes trabalhadores, não faziam qualquer reivindicação de melhorias. E entre Alfas e Ípsilones,
existiam várias gamas de cidadãos, cada grupo esculpido geneticamente para a função a que seria destinado e condicionado. Assim todos eram plenamente felizes onde e como estavam. Todos eram também condicionados a ser grandes consumidores, cada qual em sua condição social. Nada era jamais consertado,
pois tudo era plenamente descartável. Com isso as indústrias trabalhavam diuturnamente, produzindo
sempre mais emais, para atender o consumo. E os lucros eram também cada vez maiores, só que
para as classes dominantes. 

Para se evitar contratempos, a Administração Central fornecia, a todos os cidadãos, uma dose diária de
“soma”, como parte do salário de cada um. “Soma”era uma droga alucinógena aperfeiçoada, que
proporcionava um estado de euforia e sono tranquilo. Impedia insatisfações momentâneas e eliminava os estados depressivos. Enfim, todos eram decretados e condicionados a serem felizes. Ainda que, na realidade, ninguém realmente o fosse.
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Hoje, relendo Huxley, é como ler uma descrição do mundo atual. Oitenta anos depois, suas previsões vão se concretizando de forma assustadora: fecundação artificial programada, relacionamento sexual incentivado,
amplo e irrestrito. Plena satisfação pessoal a ser garantida pelas manipulações genéticas em estudo. E, se isso não for suficiente, sempre existirá a droga, numa grande variedade, para eliminar toda frustração, toda tristeza. Sua leitura é absolutamente indispensável para quem deseja ampliar sua consciência crítica.
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"O Lobo Branco está no topo da cadeia alimentar, é grande, veloz e sabe se defender, mas prefere caçar com a alcatéia pois percebe que é mais forte quando faz parte de um grupo. E aí, prefere ficar na alcatéia ou ser um lobo solitário?" Deputado Long, A Volta do Todo Poderoso

2 comentários:

  1. o livro aborda de forma sinistra o mundo

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  2. livro excelente, muito boa a análise

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