A Dissolução do Eu


A auto-dissolução da existência é uma morte interior (morte do Eu) que nos
liberta das amarras malignas do sofrimento. O sofrimento, a dor e o mal provém do
império condicionado da vontade (desejo):

"Querer é, antes de mais nada, querer viver; mas a vida nunca se apresenta como algo completo
e definitivo. Daí Schopenhauer concluir que o querer-viver é a raiz de todos os males, de todo o
sofrimento. Querer perpétuo que nunca é satisfeito, a vontade, a cada grau de realização, multiplica os
desejos e, conseqüentemente, as dores; cada satisfação acarreta um desejo maior, que é fonte de dores
maiores. A dor é, portanto, o estado natural do homem e o fim ao qual tende a natureza. Tal é o profundo
pessimismo de Schopenhauer, para quem todos os preceitos de moral se resumem num só: Destruir, em
nós, por todos os meios, a vontade de viver."

"Para isso, no entanto, os meios físicos não são eficazes. Segundo o filósofo, o homem pode se
libertar dessa servidão através de um caminho que compreende três etapas: a da arte (...), a da piedade (...) e a do ascetismo, finalmente que consiste na negação de todos os desejos, na negação da vontade de viver, na total imersão no nada” (GRANDE ENCICLOPÉIDA LAROUSSE CULTURAL, vol. 21, 1995 e 1998,
p. 5290)."


Portanto, almeja-se o vazio interior, a total ausência de desejos, a morte dos
apetites e das paixões. Nada disso conduzirá à depressão e à tristeza mas sim a um
estado de alma em que se experimenta a liberdade e a paz. Quanto mais intensa é uma
paixão, tanto maior é o sofrimento que a acompanha e tanto mais necessária e urgente se
faz a sua morte. Devemos mudar a nós mesmos e não ao mundo e nem às pessoas, já
que isso é impossível. As tentativas de exterminar o mal exteriormente resultam em
efeitos colaterais cada vez maiores e piores, o que pode ser comprovado ao se observar
o mal nos fatos atuais e a gênese histórica dos mesmos.


O Profano Feminino - págs 69 e 70

Tenho percebido algumas postagens revoltadas, por isso resolvi colocar esse trecho interessante do livro que talvez tenha passado despercebido por estar já numa parte em que Nessahan explica suas influências.

Espero ter ajudado. :soldado:

2 comentários:

  1. Sr. X vc é o cara ou o espelho dele.
    Não falo Schopenhauer que é o mestre.

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  2. Certo... mas como se lida com o tédio depois de matar toda a vontade? mata ele também? (como?) porque é isso que irá restar após o "esvaziamento ". Algo ou alguém deverá preencher a razão de uma vida e a autossuficiência esta longe de ser plenamente realizável . Me parece que o filósofo faz a descrição quase que perfeita para um zumbi para atingir a realização ! Digo... por mais difícil que seja ..." o outro" sempre será parte indispensável da existência!

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