Desabafo sobre casamento atual


Em resposta ao tópico "Só casamentos arranjados funcionam, Callahan escreveu:

Nos tempos dos nossos avôs, nem existia divórcio. A lei do divórcio só veio em 1977. As pessoas permaneciam casadas, podendo no máximo pedir o desquite, o que equivaleria hoje à separação. Mas o casamento mesmo não era desfeito. Isso tinha um lado bom e um lado ruim.

O lado bom é que as pessoas se casavam quando estavam seguras de que realmente gostavam dos parceiros/as, pois sabiam que não poderiam desfazer o matrimônio. Já nos dias atuais, muita gente casa toda hora, por qualquer coisa. Deu uma paixonite, uma trepadinha mais gostosa, já pensa em casamento. Eu fico puto quando vejo uns burros que se casam com pouco tempo de namoro. Vai ser burro assim lá na casa do caralho! Depois se fode e acha que tem azar na vida. 

E outra: o desquite não era bem visto pela sociedade e, por isso, as pessoas faziam mais esforços pra superar as diferenças e viver juntas. No final, muitos conseguiam se entender. Hoje, qualquer dificuldade insignificante que o casal encontra já traz a desculpa pro divórcio. O marido deu um peido, divórcio. A mulher não depilou o sovaco, divórcio. A maioria das pessoas hoje não entende que todos os casais tem dificuldades, inclusive os felizes. Você acha que aquele casal de velhinhos felizes e que estão fiéis por 50 anos nunca teve um desentendimento? Lógico que tiveram. Mas também tiveram maturidade suficiente pra se resolver. 

A diferença entre os casais infelizes e o felizes não é o fato de uns terem problemas e os outros não. Todos tem problemas, mas os felizes aprendem a superar as dificuldades. E o pior é que o divórcio está cada vez mais fácil. Isso incentiva ainda mais o pessoal a ficar casando à toa: se não der certo, o divórcio é um pulo. Por isso que o casamento está se tornando cada vez mais uma instituição falida.
O lado ruim da impossibilidade de divorciar é que, eventualmente algumas pessoas casavam, não dava certo e, pelas diferenças, não tinha jeito de se entenderem. Aí poderiam até se desquitar, mas viveriam ligadas pelo casamento o resto da vida.

Enfim, não sou conselheiro matrimonial e nem vou fazer sermão sobre casamento. Tô parecendo padre na missa de domingo. Mas isso de certa forma contribui pra merda que está hoje. Acham que é por acaso que está essa putaria toda? Casamentos instáveis, pessoas que casam à toa e se divorciam logo em seguida acabam criando famílias desestruturadas. Às vezes nem criam familia. 

Vejam: pessoas casam por qualquer merda, de forma precipitada. Muitos tem filhos. Depois dá merda, o casamento não vinga e se divorciam, afinal de contas, o divórcio é muito fácil. Frequentemente fica aquela briga. Que estrutura os filhos têm pra crescer, num ambiente familiar agressivo? Nenhuma. Isso quando existe ambiente familiar. Aí acabam virando pessoas sem formação e, dentre outras coisas, resultam manginas e vadias. 

Já ouviram falar que "a família é a base da sociedade"? Educação e formação vem da família. Sem família, a criançada cresce largada, na merda. Teve um tópico do Danieldrb, que ele falava dos reais culpados da situação atual (aqui). Nesse caso, falamos de uma corja de homens que acaba contribuindo. Nesse caso, pais ausentes e frouxos também tem muita culpa nisso. Algumas crianças conseguem se salvar pois recebem valores de outras fontes, tipo avôs, professores, tios. Mas hoje, sem família estruturada, a maioria não educa direito os filhos e fica essa bosta toda aí. 

Minha irmã teve dois namorados a vida inteira e casou com o segundo. Hoje tá feliz, com um filho bacana, eu jogo video-game direto com ele e vejo que é um moleque da hora. Minha irmã tá inteirona (tem gente que acha que ela é adolescente) e feliz. Isso foi à toa? Lógico que não. Foi porque meu pai é linha dura e não deixou descambar. A minha mãe também sempre em cima, dando a direção certa.

Hoje, com a decadência da família, ninguém mais passa valores. A criançada cresce na rua, ouvindo merda, fazendo merda. Já foi discutido em outros tópicos que as meninas tão ficando putinhas desde cedo. A molecada virando viado ou mangina.

Eu até acabei desviando do tópico principal. Foi um desabafo sobre casamento, rsrs.
Acho também que casamentos arranjados não funcionam. Depende do que se entende por "arranjo". Se esse arranjo for um apoio da família, tentando direcionar o casal, indicando coisas positivas, ajudando a superar dificuldades, beleza. Não conheço muito bem essas paradas, me parece que isso ocorre no islamismo e como não tenho muitas informações, não dou muito palpite. Mas nessas searas, acho que frequentemente ocorre de os casamentos serem levados por outros interesses, sem qualquer afinidade entre os nubentes. Com isso, o casal acaba não funcionando. Aí só com muita boa vontade mesmo pra vingar.

3 comentários:

  1. Isso sempre debato com mulheres da família da geração anterior à minha (todas de 60 em diante). Lentamente elas entendem que mentalidade pró-boa união favorecia homens comuns, trabalhadores e que para mulheres de hoje em nada pareceriam fodões. Por quê? Por elas terem de levar em conta que não podiam se divorciar e, portanto, ter de pensar muito antes de se casar. Bad boy molha calcinhas? Sempre molhou, mas mulheres de outrora sacavam, traçando paralelos com outros casos parecidos que viam, que boa coisa não saía por ser contraproducente para o propósito do casamento. Portanto, o trabalhador que hoje tão sem graça parece era mais valorizado.
    Poderia haver mulher que se casava com traste? Sim, mas eles tinham de fingir muito bem ser alguém de bem. E interpretar, mesmo para o mais sociopata dos sociopatas, demanda um esforço que a intuição de qualquer um capta coisas que não fecham na conta, ainda que muitas vezes só se note depois que a bobagem foi feita.

    Não defendo regressão a tempos sem divórcio, até por haver casos em que é mesmo justo. Divórcio em si não é bom nem ruim, mas algo usável para o bem ou para o mal, tal qual uma faca que corta comida ou mata. Fazer farra nisso joga-o por terra.
    Em que um homem deve pensar ao se casar com uma mulher? Não só se será a mãe de seus filhos, mas também que tipo de mãe terão. Dá boa mãe quem na prática é criança crescida, faz birrinha se é contrariada ou ouve a dura verdade, não assume seus erros e bota a culpa de tudo em terceiros ou fatos externos? Dá sim belo inferno a quem dela for próximo. E esses próximos, perante não tão próximos, serão sempre desmoralizados pelo vitimismo dela. Sim, é tipo que interpreta bem perante parentes e agregados, que logo se voltam contra marido e/ou filhos se estes reclamam de algo ruim que ela possua. E os filhos, se conviverem alguma hora com uma tia gente boa, podem ficar com senhor remorso de ver que eles, se a mãe fosse como aquelas tias, teriam sido pessoas melhores.

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  2. Parte 2:

    Para as mulheres, a pergunta: se um cara com todo jeito do mundo com crianças, que é legal, que fez e faz jus à educação recebida e ao conhecimento adquirido e é bem responsável, por que preteri-lo em favor de um traste qualquer? Só porque te parece eunuco? O traste será bom pai para seus filhos e irá te garantir vida feliz? Ou você irá ficar igual àquelas quarentonas ou cinquentonas que reclamam do marido pacote-tranqueira básico? O traste, mesmo que dele ela se divorcie ao ver quem é, não gerará belo prejuízo aos filhos, que poderão crescer revoltados, sem limites ou mesmo desencaminhados por ele? Não pensem que pai traste respeita a mãe do filho dele. Pode muitas vezes levar o filho ao puteiro e cada um comer uma puta, o que dá para considerar dupla traição para essa mãe. E o risco que uma menina corre ao conviver com pai traste? Poderá achar que é o normal de ser homem e nessa, caras de bem serem preteridos ou mesmo sofrerem com tal concepção equivocada, isso se essa menina não se revoltar e nessa, estar ainda mais arriscada a pegar só trastes que se finjam de gente de bem se notam a tal revolta e o trauma que vem de casa.
    Portanto, é a velha diferença entre alegria e felicidade, sendo a primeira algo de curto prazo e a segunda envolvendo longo prazo e colheita de bons frutos. Filhos não têm culpa das más escolhas de quem os gerou e muito menos pediram para nascer.

    Perguntarão: pode ser bom pai/mãe, mas e o ser cônjuge e o que isso demanda? Claro que devemos levar em conta, mas sempre de forma racional. Aquelas besteirinhas a que se dá tanta atenção e tanto geram divórcio são mesmo tão importantes? E implicâncias com certas coisas, ajudarão mesmo a gerar alguém melhor ou podem confeccionar gente transtornada e que pode ser engolida por um mundo que na prática nem dá tanta bola para tais coisas? Será que o bom desempenho do papel de marido/esposa (inclusive em quatro paredes e levando em conta mudanças normais que isso tem com o passar dos anos) não é muito superior a querer ver chifre em cabeça de cavalo e, vendo que não é unicórnio, insistir que seja nem que a marretadas?
    Diria mais, mas paro por aqui e peço que quem se comove com velhinhos andando de mãos dadas e felizes pense em por que são assim.

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  3. bom texto,foi equilibrado e não tendeu para vitimismo de ninguém, também deixou claro que as pessoas, independentes de ser do gênero masculino ou feminino, tem sua parcela de culpa.

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